
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
A Felicidade da Malícia

segunda-feira, 5 de setembro de 2011
O Coração é um Orgão Elástico Mesmo
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
E falhei, sim, falhei!!
domingo, 31 de julho de 2011
Luz das Horas Tristes
Esparramo pernas e braços sob os lençóis brancos da cama muda. O som da chuva ativa lembranças longínquas que se misturam à solidão. Suspiro. Um trovão produz um som que não acaba. É como apertar forte a tecla dum piano no silencio. Infinito... E mesmo no meio desse cenário de chuva, raios e solidão, consigo encontrar uma beleza oculta que brilha, invade meus poros e inunda minha alma de luz. Deve ser o que o gênio sente ao sair da garrafa ou ainda o que meu Velho Pai sentia quando entrava nela.
A vida é feita de ciclos. As coisas terminam como começam. Quando eu era garoto e ainda cursava o primeiro grau do ensino médio, com frequência meu pai batia na porta, pedia licença pra professora e me arrancava de dentro da sala de aula para ir pescar. Era um resgate. Num piscar de olhos eu deixava a chatice de uma aula de ciências pela perspectiva de passar uma tarde livre interagindo com a natureza e fisgando sardelas na barranca do rio.
Pescar encabeçava o rol de minhas atividades prediletas até meus 16 anos escancararem as portas de um mundo de amores, tragos e um par de cigarros. Durante a pescaria minha ansiedade ia aumentando na medida em que o sol desaparecia. Minha mente transbordava em cervejas, expectativas, planos, encontros e desencontros. Já a caminho de casa a ansiedade batia no teto quando, conforme o costume encostávamos o carro sob os enormes galhos de uma figueira, onde a estrada de chão cedia espaço para a rodovia já asfaltada:
- Vamos ter que tomar a saideira né - dizia o Velho, já desligando o motor.
- Já tá aberta pai - respondia já espichando o braço entre os bancos do carro e lhe passando a cerveja.
Então eram goles, estórias, mentiras sinceras e risadas em minutos que ainda vivem. Os últimos quilômetros eram percorridos, por vezes, já meio adormecido. Um solavanco. O carro sai da estrada. Ambas laterais, teto e rodas acertam o chão com forca enquanto despenca lentamente barranco abaixo, deixando um rastro de plástico e incertezas na vegetação que vai sendo devastada. Abro a porta. Meu joelho dói. Olho-me no espelho mal conseguindo abrir os olhos. Estou com os cabelos amassados e cara de sono. Abro a torneira e deixo a água escorrer sob meus punhos abertos. Estivera dormindo um sono profundo. Fecho a porta do banheiro e a passos curtos me dirijo à cama. A tecla do trovão no silencio se repete, completando outro ciclo. Minha alma é invadida pela beleza da luz das horas tristes. Estou pronto. Podem subir.
Jero Jul 2011
Pic. Mostardas, Jul 2009
sábado, 9 de julho de 2011
T u m o r S e n t i m e n t a l
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Aflora e a Fauna
Meus pêlos eram arrancados pela lâmina, que seca, texturizava minha face. Maldita hora de realizar boa ação e ficar sem creme de barbear. Maldita hora de resolver fazer a barba, depois de dois anos de abstinência total a palidez de minha pele facial que salta aos olhos quando nua fica. Maldito dia. Maldito Deus. Sim, quero ser expurgado do paraíso, quero que se foda. Como disse certa vez uma amiga que nunca encontrei, é quando estamos tristes que o melhor da gente aflora. Então tá ai C., meu melhor vai aflorar hoje. E vai te engolir, já que isso eu não consegui fazer. Meu melhor vai aflorar. Vai, aflora! A flora e a fauna. A fauna que convive comigo. Creme de barbear de Ramamelis, amigo que buzina pedindo emprestado o memory stick, peixe colocando pânico no aquário, Fundo de Investimentos, o Carmelo gritando no meu quarto, meu amigo japa que não conheci, a prestação da moto, o livro do Kerouac que nunca tive coragem de abrir, o amigo que leva 10 dias pra tomar um café comigo, a empregada que ganha uma miséria e ainda sustenta o pai que é doente… socorro!
Socorro, só corro, corro e meu joelho dói. Assim como a dor que sinto agora expele de minhas veias a energia negativa acumulada, e rasga meus poros fazendo com que eu fique mais imune á toda sujeira existente nessa porra de mundo que habitamos. Não, eu não pertenço a esse lugar. Eu não pertenço a esse plano espiritual pobre e feio. Eu não nasci pra bater porta. Eu nasci pra virar mesa. Eu nasci pra cortar grama no verão e beber vinho tinto no inverno. Eu sou alienígena. E se Deus ficar bravo comigo e me expurgar, eu me teletransporto lá pra dentro de novo. Dentro dela, quentinho, bem devagarinho, devagarinho como o dia em que cheguei de mansinho no escritório do meu irmão e peguei ele exatamente na hora em que ejaculara nas próprias mãos.
Ri, ele riu também. Riu, rio que me leva. Rio Guarita, Rio de Janeiro. Rio Guarita que leva meus sonhos através de suas curvas sinuosas, através de seus barrancos e de suas águas turvas. Rio de Janeiro que carrega minha vida num mergulho no Arpoador, num chopp barato na esquina, no por do sol que funde o arranha-céu com a favela e o azul infinito do mar. Mar que espuma, assim como ódio, como cachorro, como jogador expulso do jogo. Faz parte desse jogo, dizer ao mundo todo, que só conhece o seu quinhão ruim… Sim, esse é meu quinhão ruim, a inveja que transcende o consciente, a cumplicidade entre loucura e covardia.
- Pai, o senhor viu que tem um de seus passarinhos que está ferido logo acima do bico?
- Não.
- E tá em carne viva pai!
- Não vi. Qual?
- Esse pai – disse-lhe apontando para a gaiola.
- Mas é o meu campeão, homem!!
Sim, loucura, covardia, amor, ética, simplicidade, compreensão, conservadorismo, relatos de uma vida que se acaba em outra Bohemia destampada. Fácil, assim, fim.
Jero Mar 2006
Pic. Amazonia, May 2008
quarta-feira, 8 de junho de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Uma Tarde de Solidão

sábado, 12 de março de 2011
Talento Puro
(...) sentia raiva. Uma raiva incontida. Sentia raiva das coisas, das pessoas. Sentia raiva da vida. Até os objetos lhe proporcionavam o crescimento de tal sentimento. Olhava para uma cadeira e tinha vontade de quebra-la.
Nessas ocasiões conseguia extrair o que cada pessoa tinha de pior, somente num rápido olhar. Se proferisse tudo o que sentia sobre uma pessoa qualquer, fosse um estranho, um familiar ou ainda um grande amigo, faria com que esta se sentisse um lixo. Seus pensamentos compilavam os piores adjetivos que alguém sozinho, alguém por si só, não teria conhecimento suficiente para elenca-los.
Não era uma forma de pensar ou de ver o mundo. Ele sentia isso tudo. Era desprezo. Desprezo pela pessoa alheia, pelo sol - se sol fizesse - , pela chuva - se chovendo estivesse - , pelo coração pulsando, pelo ar que respirava.
Não era razão ou a falta dela. Era sentimento puro, nato, branco. Ele sentia isso tudo. Estava entranhado ao longo de cada milímetro de seu aparelho circulatório. Em suas veias corria uma acidez implacável, imbatível.
Qualquer palavra que lhe dirigissem era rebatida com impetuosidade. Seu cérebro tencionava e guarnecia-se de palavras feito uma espingarda. Qualquer toque no gatilho, por mais suave que fosse, resultava em pólvora, adjetivos e verbos acertando tudo e todos que o cercassem.
Como era de se esperar, essa raiva incontida provocava ressacas sentimentais e, em inúmeras oportunidades, revelava a hipocrisia alheia daqueles que tinham o péssimo hábito de dissimular. Era um defeito, lógico, mas era realizado com tamanha facilidade que se tornava talento puro. Era fácil como pescar num barril.
Jero Dec 2010
Pic. Palmeira das Missoes, May 2009
domingo, 23 de janeiro de 2011
Grito Engarrafado
Acordou tarde. Demorou meio minuto para abrir os olhos e, assim que o fez, sentiu a claridade acertando sua face. Caminhou até o banheiro, abriu a torneira e deixou que a água escorresse através de seus pulsos. Quando a água já havia percorrido toda a superfície de suas mãos, levou-as ao encontro de seu rosto pálido, levantou a cabeça, e ficou encarando a si próprio, enquanto as gotas zigue-zagueavam a barba por fazer e rolavam em direção ao queixo.
Era um daqueles dias em que todas as dúvidas afloram. Como se cada dúvida fosse uma formiga e sua cabeça fosse uma bala de caramelo esquecida no chão. Então o formigueiro devora todos os bons sentimentos, fazendo restar apenas uma vontade imensa de não existir. É diferente da vontade de morrer. É uma vontade além. Uma vontade de nunca ter existido.
Pressionou a toalha contra a umidade de suas bochechas, baixou os olhos e deixou o banheiro. À passos lentos voltou ao quarto. Já deitado, fitou o teto. Percebeu que a vida as vezes se parece com pregos: tortos, enferrujados e sustentados por uma cabeça amassada por martelos.
Abriu a janela e deixou que o restante da claridade invadisse o quarto e ofuscasse o indicador da bateria do notebook. On. Pressionou o random e recebeu de troco um "Migala 10 instruções para dar corda num relógio". Sentiu uma dor súbita no lado esquerdo do peito. Percebeu que sua vontade de nunca ter existido transformara-se no desejo de ser alguém. No desejo de não ter sido um ninguém a vida toda. É como conduzir o carro numa rodovia federal. Você sente um imã atraindo o veículo para a direção contrária. Então você puxa o volante para o lado certo. E ele vai na direção oposta. E você puxa novamente. E começa a enxergar a faixa continua indicando "proibido ultrapassar". Faz força. Puxa. Ele insiste em ir para o lado que você não deseja. Segue puxando. E quando você percebe, um par de rodas já caiu no acostamento contramão. E então sua dor no peito sinalizara o desejo de um coração novo. Sentiu que aquele que insistira bater em seu peito estava condenado, falido. Pontes de safena não desobstruiriam as artérias ao ponto de bombear toda a dor que lá habitara por tanto tempo.
Sentou-se na cama e acendeu um cigarro, puxou e sentiu a fumaça entrando de forma profunda em seus pulmões, infeccionando suas células, que imediatamente, começavam a expelir um líquido viscoso, de tom amarelado. Pensou nas variáveis infinitas da vida. Para onde o teria levado o beijo não dado, a palavra não dita, as frases ríspidas, o atraso para o vôo, a rejeição da oferta do emprego, o ficar em casa lendo Heavier than Heaven num domingo de sol, o convite para jantar não aceito.
Fechou as janelas, acendeu duas velas sete dias e o random caiu em
please forgive me
if I appear unkind
but any fool can tell you
it`s all in your mind (…)
poor little girl
with you handful of snow
poor little girl
had no way to know
Apagou a luz e voltou a deitar. Adormeceu por uma dúzia de minutos. Acordou encharcado de suor. Transpirara excessivamente durante o curto sono conduzido pelo estado quase hipnótico de sua fadiga. Seu fígado, na noite anterior, absorvera mais do que uma pessoa normal seria capaz. Tocou sua camiseta e sentiu-a completamente molhada. Levantou-se. Sentou-se a beira da cama. Antes de encostar o chão, seus pés afundaram em suor. Sentiu a densidade de todo aquele líquido que fazia o carpete se parecer mais com um espelho gigante a refletir a luminária do aquário que descansava sob o móvel. Então o nível de suor começou a crescer. Quando percebeu, suas canelas já estavam completamente submersas. Em seu quarto boiavam angústias em fotografias, solidão em cds, sonhos em hot wheels, uma cadeira vazia, uma imagem de Buda levantando o dedo médio para Cristo e um grito engarrafado numa Absolut.
Desesperado, lembrou-se. Abriu a porta que dividia o quarto do banheiro e saiu correndo. Deixara a torneira aberta.
Jero 2008
Pic. Amsterdam, Oct 2010
domingo, 16 de janeiro de 2011
Borboleta Azul

Tenho uma borboleta na mao
desde ontem eu tenho uma borboleta azul
que serpenteia suas asas no dorso de minha mao direita
esparramando meu sangue vermelho feito tinta Pollock.
Estou muito doente pra rezar, Senhor
nao tenho forcas pra levantar meus bracos pintados ao ceu
e ainda que as tivesse
nao o faria
pois devo confessar
penso no senhor com certa furia no olhar
certa cólera
Hoje pela manha
enquanto a enfermeira me furava pela sétima vez no dia
fitei os azulejos rosas das paredes da emergencia
e ouvi o choro incessante do bebê atendido logo ao lado
O Senhor colocou apenas uma parede entre nós
Jogo dos sentidos
Foi sufciciente para impedir minha visao
mas pouco, muito pouco para impossibilitar
que eu escutasse o tom desesperador em seus urros
fazendo dele um gato
que na eminencia de ser atacado por uma matilha
ouriçado
arca a extensao de seu corpo e chora feito um bebe
Foi tao pouco que fui capaz de ve-lo através de seus gritos
e gemidos incessantes…
Se houvesse o poder da escolha
a surdez naquele ûnico momento
por outras dez agulhas penetrando em minhas veias já não tão limpas
seria uma bela troca
Mas entre azulejos e agulhas
nasceu a lembrança de que meu velho se fora ha exatos 365 dias atrás
numa tarde chuvosa de inverno
Tal como o soro que desaparecia
nos esparadrapos que seguram minha borboleta azul
derrubei uma lágrima
que desapareceu no caminho entre meu olho esquerdo
e o travesseiro da maca hospitalar
Uma lágrima contida
feita de aniversário
veias furadas
grunhidos do pequeno bebê amedrontado pela matilha
Uma lágrima de orgulho pela herança da vida
Uma só lagrima e sinto que ja posso lhe dirigir a palavra, Senhor.
Por favor, leve minha borboleta azul
nesse momento
eu so quero os bracos limpos
Jero, de bracos pintados, 17/ago/2009
Pic. Palmeira das Missões, Nov 2009
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Afogou-se
Baixou a tampa do vaso, sentou, apoiou os cotovelos nos joelhos e levou as maos até as bochechas, em posição de choro. Permaneceu ali ao longo de minutos. Perdeu a noção do tempo. Um quarto de hora talvez. Pensava em nada. Pensava nos porques da vida. Transitava entre opostos, afinal, tudo era uma questão de perspectiva. O sol surgiu de tras de uma nuvem, atravessou a janela e acertou seu Topper barato comprado numa loja fuleira da 18 de Julho, em Montevideo. No primeiro instante a luminosidade proporcionou a observação do rejunte sujo entre os azulejos gastos que cobriam o chão. Quanta coisa já não teriam presenciado aqueles azulejos. No instante subsequente, a luz potencializou o escuro da sombra que era formada pela parede que sustentava a janela. Pensava que assim como o sol fazia brilhar o velho azulejo e ao mesmo tempo reforçava o negro da sombra, a vida apresentava uma linha muito tenue entre a felicidade e a desgraça. Bastava um clique para trocar o azul de uma praia quente do atlantico pelo cinza impregnado nas edificações comunistas da europa oriental. Os dois poderiam ser belos, é verdade. Mas a agua tem um certo efeito terapeutico, repositor de energias, a passo que as paredes emitem sinais que, embora imaginarios, são carregados de zunidos de balas que rasgam os céus, e de sangue turvo, viscoso, vermelho rubi.
Estava cansado, era verdade. Mas também era verdade que os ultimos dias haviam lhe exigido mais do que seu parco tempo lhe permitia. Seus dias já não tinham mais vinte e quatro horas. Era forçado a cumprir pequenas tarefas alheias que, quando somadas, lhe reduziam a vida e lhe aumentavam a fabricação natural de toxinas inebriantes. Por vezes sentia algum orgao interno formigar. E quando isso ocorria, desejava com ardor que as formigas lhe acertassem o propulsor da alma.
Fitou os azulejos com tamanha força que seu olhar perdeu o foco. Não era exatamente a perda do foco, mas sim olhar pra algo sem enxergar, parecendo que o objeto, pessoa ou qualquer coisa que o valha, olhado, não existe, não está ali. Então sua visão raio x atravessou argamassa, tijolos, pêlo, pele e músculos, aterrisando na estrada poeirenta que circunda parte da lagoa, que por sua vez fica ao lado do rio onde costumava pescar com seu Pai, desde seus dois anos e meio de idade. O Velho destampava uma - que nao era a primeira do dia - , ajeitava seu banquinho de madeira no pesqueiro e acendia um Charme longo. As cinzas do cigarro eram cuidadosamente depositadas no cinzeiro que o Velho trazia de casa. Duas ou três horas após o anoitecer, preparando-se para voltar pra casa, recolhia as esperas, juntava o dito cinzeiro de madeira samelo e jogava todo seu conteúdo para o alto. Nunca entendeu porque o Velho levava o cinzeiro e depois espalhava pelo mato a sujeira toda. Nunca entendeu porque o Velho suicidou-se, entre um copo e outro, paulatinamente. Nunca entendeu a dupla personalidade do Velho: o homem alegre e carismático na rua que, ao pisar em sua vivenda, transformava-se no homem amargo, obscuro, que infundia tristeza a todos que lhe cercassem. Nunca entendeu o porque de não ter dito ao seu Velho Pai tudo o que precisava. Tempo tivera, pois acompanhou de muito perto sua enfermidade avançar impiedosamente. Acompanhara seus devaneios causados pela encefalopatia, que lhe acertara em cheio, feito um jab nocauteador.
- Abre a bragueta, Bruno. Abre a bragueta, Bruno – recitava repetidamente em estado mental alterado, referindo-se ao irmão já morto.
O sol escondeu-se atrás de uma pequena nuvem e levou consigo a luminosidade e o escuro da sombra. Seu cérebro voltou a comandar seus olhos agora turvos. Sentiu uma pontada no peito. Uma dor aguda. O medo oriundo da hipótese de seu Velho Pai ter partido sentindo que não era amado, lhe sangrou o espírito. Dizia que o amava com frequência, mas sentia um misto de afeição e raiva, por vê-lo mergulhar em sua piscina de amargura que, embora não profunda, tinha dor e arrependimento suficientes para afogar qualquer um. A aflição que sentia encontrava alicerce nas frustrantes tentativas em jogar um salva vidas para evitar o afogamento do Velho. Tentativas que, sabia ele, em diversas ocasiões, resultavam em feridas verbais. Cobrava de si mesmo o porque de ter falhado. O que deveria ter feito para um desfecho diferente do ocorrido. Mas essa era apenas mais uma, dentre sua infindável lista de perguntas que ficavam sem respostas.
Juntou as mãos em forma de uma concha, abriu a torneira e jogou água entre os olhos que escorreu ligeiramente até seu queixo. O dia estava quente e abafado. Enxugou-se, serviu uma xícara de café preto e voltou ao trabalho. Mesmo sem respostas, o relógio seguia girando.
Jero 20/dez/2010
Pic. Palmeira das Missões, Sep 2009