e quando acordei estava tudo tão cinza
com uma tristeza difusa no ar
confuso
e meu coração que insiste em bombear
feito roda gigante em dia de chuva
sonhos direto pra minha ventuinha da alma
muito devagar
abriu as portas
do abismo
e caí forte
levantei - sempre levanto - perdido
e de curva em curva
andei reto
a esmo
onde?
e tudo aquilo que eu não pude ver
embaçou
e tropecei dentro de mim mesmo
riscando nuvens no céu negro
com as mão sujas de giz branco
de cor em cor
um dia claro de azul
sem obrigações
exceto um café no sol do inverno
e um par de cigarros que não façam mal
que a vida não faça mal
que eu esqueça eu mesmo
e lembre de tudo
da infância
dos valores que me moldaram no que eu sou
ou
pelo menos
naquilo que quero me tornar
estranho
estranho é enganar a si mesmo
estranho é o meu reflexo
no espelho sujo de fuligem branca
mais cores
e meu coração vomita um copo de leite
que rasga o peito
e tão sozinho de saudade
tomo a saideira com meu velho embaixo da árvore
na esquina São Bento
e assim
mesmo confuso
mesmo tão cinza
eu vou viver
sim
eu vou viver
pra sempre
com um pé no chão
e a alma no céu.
Jero, Oct, 2013.
Pic. Itália, Aug 2013 - By Victor Hugo Cecatto
