M O R F I N A D O R
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Why should I stay here?
Um peixe de escamas marmorizadas
lançava sua cauda desfolhada para baixo
numa fracassada tentativa
de passar despercebido aos olhos do cliente.
Jero, Nov 2015.
Pic. Montevideo, Out 2015.
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Retina Go Pro
Tava nadando
pensando
queria ter uma câmera acoplada na retina
que filmasse embaixo d'água
e intercalasse a imagem da piscina e das bolhas
com as minhas imagens mentais...
Li não lembro onde, Nov, 2015
Pic. Montevideo, Oct 2015.
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Aquário de Lembranças
No aquário das minhas lembranças
percebo que não é fácil
falar sobre as coisas
que realmente nos importam...
Texto extraído/montado através de frases sem conexão direta. Livro Caçando Carneiros, Haruki Murakami.
Pic. Palmeira das Missões, Nov 2014
percebo que não é fácil
falar sobre as coisas
que realmente nos importam...
Texto extraído/montado através de frases sem conexão direta. Livro Caçando Carneiros, Haruki Murakami.
Pic. Palmeira das Missões, Nov 2014
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Soul Lung
Um pássaro rasgou o azul do céu exibindo suas longas asas negras
ressaltadas pelo contraste
toda vez que sob uma alva nuvem planava
Num pequeno esforço alçou vôo
flutuou sonhos
transitou pensamentos
e aterrisou no mundo virado
Deitado
sentiu a grama roçar o dorso
e o excesso de ar lhe acertar um pulmão
Desviou o olhar para a linha onde céu e terra se misturam
Finalmente compreendeu
It has been his soul lung
For so long
Jero, Sep, 2015
Pic. Palmeira das Missões, Sep 2015.
terça-feira, 18 de agosto de 2015
U n O u r s
Sonho com um desfiladeiro
e os garotinhos correndo no campo de centeio
O universo grande demais
me confunde
embaça minha visão
me inunda de torpor
E então aparece um urso
ainda que com pés dormentes
corre e me ajuda a impedir que o abismo os engula
Se fosse outra vida eu juro que ficaria no desfiladeiro para sempre
flutuando como um balão de gás hélio
anulando o tempo
e observando a fumaça
Um sonho dentro de um sonho
Foi outra vida
pelo menos enquanto eu sonhei
I'm not stuck
I'm alive
I'm fucked
Jero, Aug, 2015
Pic. Palmeira das Missões, Aug 2015.
e os garotinhos correndo no campo de centeio
O universo grande demais
me confunde
embaça minha visão
me inunda de torpor
E então aparece um urso
ainda que com pés dormentes
corre e me ajuda a impedir que o abismo os engula
Se fosse outra vida eu juro que ficaria no desfiladeiro para sempre
flutuando como um balão de gás hélio
anulando o tempo
e observando a fumaça
Um sonho dentro de um sonho
Foi outra vida
pelo menos enquanto eu sonhei
I'm not stuck
I'm alive
I'm fucked
Jero, Aug, 2015
Pic. Palmeira das Missões, Aug 2015.
sexta-feira, 20 de março de 2015
Plágios de Einstein
Em velocidade moderada, pedalou até alcançar a
frente de casa. Levou a mão ao bolso, buscando o controle remoto do portão
eletrônico. Foi quando percebeu que todos os sons que ouvia naquele instante
vinham, exclusivamente, da natureza. A temperatura escondeu o calor do verão e
fez parecer começo de outono. O vento assobiou grave e dividiu a atenção da
audição com o latido de um cão solitário que, ao final da rua, empinou seu
focinho para o céu. Penduradas, densas nuvens cinzas e negras espalharam seus
algodões das mais variadas formas. Dos algodões, chorou uma chuva fina,
esparsa, agradável. Mais refrescava que molhava.
Minutos transcorreram sem que o cenário sofresse
qualquer alteração contextual. Não houve qualquer manifestação do que não era
vida. O tempo havia congelado as pessoas. Experimente dissecar um segundo em 24
horas. Seria preciso uma semana inteira para tomar um gole d’agua. Dessa
forma, a manifestação humana era tão sutil que sequer emitia som ou movimento.
Era tudo imperceptível. Mas a regra não se aplicava á natureza que seguia seu
movimento com 60 segundos dentro de cada minuto. Os raios de sol atravessavam
as nuvens no horizonte e cumpriam com entusiasmo o fechamento de mais um ciclo.
Na esquina abaixo, um cavalo meneava a cabeça numa clara tentativa de livrar-se
dos mosquitos que lhe circundavam os olhos.
Abriu a boca e assim que um par de gotas lhe
acertou, recolheu a língua e cerrou lábios e pensamentos. Retraiu a mandíbula
com toda a força de seu masseter e relaxou o músculo em seguida, levando toda a
atenção para as gotas que agora, misturadas com a saliva, azeitavam sua
garganta. Teve a sensação de que também iria parar, congelar. Sentiu o coração acertar o
peito repetidamente. Se pudesse eternizar um momento, que fosse aquele. Encheu
os pulmões com o aroma da terra que recebia a chuva e transbordou gratidão pela
vida. Estava fodido, é bem verdade. Mas já se acostumara com as vicissitudes de
tal forma que para derrubá-lo, era preciso um caminhão carregado do mesmo. E
isso, até então, a vida ainda não havia se encarregado de lhe entregar.
Jero, Dec, 2014.
Pic. Dublin, Oct 2014.
Pic. Dublin, Oct 2014.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
C h u p a n d o M i n h a M e d u l a
Entro na cafeteria
peço um café apressado
Não o café apressado
eu
sem tempo
novamente habitando Todo o Tempo do Mundo
O dia está quente e abafado
sorvo um gole com o olhar perdido no vazio entre meus pés
Há tempos o chão desaparecera
sinto como se a vida estivesse passando enquanto eu estou no
piloto automático
subindo, descendo, convergindo para qualquer um dos lados
sempre a 60 por hora
no módulo de segurança
sem multas
sem emoção
aguardando um milagre
ou o gênio sair de dentro da garrafa
- meu velho devia o encontrar com frequência -
Plugo o deck systym e vejo que a temperatura é de 37 graus
viro a xícara com o restante do espresso
divido meu pensamento entre o retrogosto e uma gota de suor que
desce acariciando minha têmpora esquerda
Eu tô fodido de calor
eu to fodido porque ainda não sei o que fazer
Em Todo o Tempo do Mundo, eu to fodido
E to fodido com todo o tempo do mundo
derretendo entre meus dedos
chupando minha medula
dos pés ao pensamento
fracassado
Um chá de cordão umbilical
e uma ampola de líquido amniótico
deveriam congelar e vender em palitos
feito cafés e cigarros Jim Jarmusch
Eu tenho ânsia
de vômito e de vida
Eu tenho um coração elástico
que bombeia ó positivo demasiado humano
Eu viajo sem sair do lugar
atenção passageiros sem destino, última chamada
1Q84
Dor?
Tengo, pero no me gusta
- tu não entende.
- o que?
- não entende...
- o que?
- como eu sinto... é como se eu estivesse dentro de um
escafandro, preso, mas com oxigênio suficiente para aguardar o fim do mundo. não consigo sair, mas jamais faltará ar.
- mas o que há de errado nisso?
- o que há de errado nisso? meu deus, isso é pergunta que se
faça!! É como ficar a vida inteira na fila de um banco pra pagar uma conta que
você sequer sabe se deve. que tal lhe parece??
- hummmmmm
- responde, porra.
- acho que você deveria comprar um banco.
- comprar um banco? para poder pagar o boleto antes?
- não seu burro. comprar um banco, um banco macio, uma
poltrona, isso, uma poltrona... para aguardar sua vez, confortavelmente.
- aguardar minha vez confortavelmente?
- sim.
- não adianta, tu não entende...
- o que?
- é como uma grande bloco de tijolos, cimento e argamassa,
expostos à ação implacável do tempo.
Jero, Fev, 2014.
Pic. Palmeira, Fev 2014.
Pic. Palmeira, Fev 2014.
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